
(Em resposta ao repto, aqui segue um post, mas este, mais em jeito de
post scriptum)
PS: Possíveis Sintomas…de choques ou falta deles!
As tendências da economia mundial, muito possivelmente, continuarão a evoluir para caminhos onde novos desafios (ultrapassar as rápidas mudanças tecnológicas e uma forte competição do mercado global) se colocarão aos países que procurem a sua auto-suficiência a nível social e consequente lugar no pódio no desenvolvimento (sustentável!) da sociedade. Tendências que determinam no seu conjunto, uma perspectiva de economias e de sociedades baseadas no conhecimento e preparadas para aprendizagem.
Orientações claras em politicas de desenvolvimento sustentável a médio longo/prazo deveriam ser consideradas bem como o incentivo à aprendizagem contínua e de consequente qualificação dos cidadãos, à autonomia e inovação tecnológica de serviços e produtos.
A esta evidência, diversos governos europeus estipularam tornar a Europa (União Europeia) na primeira economia mundial baseado no conhecimento para o ano de 2010 (
Agenda de Lisboa, 2000). Com efeito, a meta europeia é investir pelo menos 3% do PIB em Investigação e Desenvolvimento (I&D) até ao período acordado (Conselho de Barcelona, 2002). Nesta intenção, a união europeia compromete-se e propõe promover a inovação e melhorar a investigação e a educação a nível europeu.
É consensual entre nós o impacto das descobertas científicas no nosso quotidiano, e do modo intrínseco como estas, afectam e se encontram enraizadas nos nossos hábitos e costumes. Desta forma a ciência e as novas tecnologias emergem (nas suas diversas vertentes) como o motor para alcançar os objectivos a 2010.
Praticamente a 4 anos de atingir o prazo proposto para atingir os objectivos da Agenda, é já consensual entre os subscritores, o fracasso da implementação dos mesmos até ao período estipulado.
Falta de politicas “cientificas” concretas ou mesmo a deficiente implementação de algumas (como é o caso do “choque tecnológico” que em Portugal se vive), gera o insucesso do protocolo. Insta agora, interrogar e perceber o que falhou.
Neste contexto grandes questões envolvendo a Ciência como actor principal, no contexto da “Europa Unida”, necessitam ser respondidas e esclarecidas. Ressurge agora algumas questões que não são novas mas que voltam a estar na actualidade, são elas as seguintes:
- Qual é o peso e o papel da ciência e das novas tecnologias nas economias modernas? Estarão os políticos e decisores de cada país, devidamente atentos para o papel da ciência numa sociedade desenvolvida? Terá a ciência ocupado o devido espaço na discussão pública? Será que a Ciência tem caminhado no sentido de resolução (sustentável) dos problemas emergentes das sociedades no futuro? Quem decide, ou quem deveria decidir, para onde deve caminhar a ciência? Terá a ciência básica ou fundamental passado para segundo plano em detrimento da ciência dita aplicada ou de carácter mais tecnológica (comercial!)? Será a Investigação Científica uma área atractiva de emprego no futuro? Quais os riscos e benefícios da Investigação Científica? Na identificada “faca de dois gumes” dos "produtos" da C&T, o gume dos benefícios supera ou superará, num futuro próximo, o gume dos riscos ou perigos dos produtos tecnológicos para a sociedade em geral?
Urge debater a ciência nos seus diversos aspectos. Portugal a Europa e o resto do mundo estão a espera dos resultados. Questionar, debater e actuar. Não percamos de vista o caminho para uma sociedade moderna, dinâmica, desenvolvida e efectivamente sustentável.